Roland Barthes fundamenta sua visão da narrativa principalmente no conceito de “passé simple”. Este termo, na verdade, diz respeito a uma expressão retirada da língua francesa falada, referente à construção textual no ‘passado simples’. Essa construção permite ao escritor expressar tanto ordem quanto euforia, traduzindo os fatos em um texto claro e sem sobreposições. Assim, para esta definição, o narrar é um ato que depende de contar uma história no passado simples, constituindo fatos consecutivos e hierárquicos, sejam eles reais ou ficcionais. O passado narrativo exprime um sentido de ordem que destoa da realidade. Barthes chega a mencionar que a função dessa expressão é de alienar a própria história, os fatos.
Em geral, as narrativas são criadas como recursos da memorização individual ou coletiva, sejam estas memórias reais ou construções alternativas. Na proposta vista por Barthes, o ‘eu’ faz sua aparição no caráter de confidência da personagem apenas. Imediatista e elaborada simultaneamente, esta solução, ao passo que destrói a convenção esperada pelo afastamento da narrativa, devolve a ela sua naturalidade planejada, aproximando o leitor.
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