Archive for the ‘Conceitos’ Category

O surgimento dos alfabetos

A teoria que defende a hipótese de que o alfabeto fonético é uma evolução linear das representações pictóricas é chamada de “evolucionária”. Além dos elementos apresentados anteriormente pontuando discordâncias quanto a esta vertente há mais uma consideração a ser feita que, de tão importante, não poderia ser ignorada:

A teoria evolucionária tem uma limitação: ela leva a subestimar a adequação dos demais sistemas de escrita, tais como a escrita logográfica da China e a escrita mista logográfico-silábica usada no Japão. (OLSON, 1997, p.84)

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A herança asimoviana da música

Posted by Julia Stateri On November - 30 - 2009

A literatura ficcional e os cenários criados por seus autores vem inspirando compositores ao longo dos tempos. Alguns exemplos destas expressões podem ser encontrados nas obras de Wilhelm Richard Wagner (1813-1883), compositor alemão que dedicou praticamente o total de sua obra à exploração do folclore e misticismo presente nas lendas nórdicas. De modo algum, entretanto, Wagner poderia ser considerado desacompanhado nesta empreitada: Felix Mendelssohn-Bartholdy (1809-1847), já aos 17 anos de idade, baseia-se no mundo ilusório e onírico proposto por William Shakespeare (1564-1616) para compor “Sonho de uma noite de verão”, mantendo o título da obra de sua inspiração.

Poderíamos continuar com extensas citações, passando pelo escritor Ernst Theodor Amadeus Hoffman (1772-1822), cujas obras literárias influenciaram grandes nomes da música e alimentaram seu imaginário criativo, servindo de enredo para conhecidas óperas: Tannhauser de Wagner, Brautwahl de Busoni, Cardillac de Hindemith, dentre outras.

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Linguagem e interatividade nos videogames

Posted by Julia Stateri On April - 26 - 2009

Por ser uma atividade baseada num conjunto de operações próprio que representa a articulação, a linguagem (mesmo a hipermidiática) é uma atividade humana. A máquina, ou a inteligência artificial, pode ser programada para responder e apreender respostas que são devolvidas da maneira que sua programação julgar mais adequada, entretanto essa programação não possibilita ao autômato articular os signos componentes da linguagem. Nessa instancia não se pode dizer que exista atualmente uma interatividade lingüística entre o humano e o código, o que não permite que exista também uma interatividade além da cognitiva no videogame, tal qual a que é propiciada pelo livro.

A única interatividade que ultrapassa esta cognição dá-se pelo contato e socialização com outros jogadores, participantes do mesmo ambiente e contribuintes com sua própria subjetividade. Da mesma forma, na mídia pungente da internet, os sites de relacionamento e programas de chat visam à conexão entre duas inteligências humanas, capazes de articular minimamente no mesmo código. A medida que emissor e receptor se equiparam em capacidades, a comunicação pode ser feita e a interação existe, humana. Ainda que um dos pontos de comunicação esteja pronto para receber ou emitir informações, se este não dominar o código articulatório será improvável, senão impossível, que haja comunicação e que surja deste encontro (virtual ou não) alguma âncora de memória.

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Escrita e Ideologia

Posted by Julia Stateri On April - 26 - 2009

Se antes a narrativa servia como registro memorial, hoje sua importância também esta ligada ao discurso como forma de poder e ideologia. Os fatos são narrados conforme determinados pontos de vista da história fatual, e mesmo as narrativas ficcionais carregam em si ideologias potenciais que são disseminadas através do texto.

Ao estudarmos então uma linguagem hipermidiática, (ou seja, que é formada por mídias diversas que se integram formando uma inteiramente nova) como é o caso dos videogames, temos ainda de nos preocupar com a maneira como são unidas as estruturas componentes do conjunto ambiente. Um ambiente de jogo se dispõe de imagens, animações formadas por essas imagens, que podem ou não usar recursos tecnológicos para criar a idéia de volume em três coordenadas (x, y e z); dispõe também de sons que devem dar coerência à mensagem que se pretende transmitir com aquele ambiente; e como não poderia deixar de ser, dispõe de texto em várias formas.

Não bastasse então o texto em si carregar ideologias e propostas sociais, na linguagem hipermidiática pode haver controle de uma espécie de escritura (imagética, por exemplo), mas defasagem na compreensão de outra.

A Narrativa

Posted by Julia Stateri On April - 26 - 2009

Roland Barthes fundamenta sua visão da narrativa principalmente no conceito de “passé simple”. Este termo, na verdade, diz respeito a uma expressão retirada da língua francesa falada, referente à construção textual no ‘passado simples’. Essa construção permite ao escritor expressar tanto ordem quanto euforia, traduzindo os fatos em um texto claro e sem sobreposições. Assim, para esta definição, o narrar é um ato que depende de contar uma história no passado simples, constituindo fatos consecutivos e hierárquicos, sejam eles reais ou ficcionais. O passado narrativo exprime um sentido de ordem que destoa da realidade. Barthes chega a mencionar que a função dessa expressão é de alienar a própria história, os fatos.

Em geral, as narrativas são criadas como recursos da memorização individual ou coletiva, sejam estas memórias reais ou construções alternativas. Na proposta vista por Barthes, o ‘eu’ faz sua aparição no caráter de confidência da personagem apenas. Imediatista e elaborada simultaneamente, esta solução, ao passo que destrói a convenção esperada pelo afastamento da narrativa, devolve a ela sua naturalidade planejada, aproximando o leitor.

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Fundado no segundo semestre de 2008, o Grupo de Pesquisa em Narrativas Digitais e-Storias, é a expressão do desejo de compreender as narrativas criadas no ou transpostas para o ambiente digital.

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