A computação é uma área incrível. Ela faz uso, não só da própria literatura, mas também utiliza praticamente todas as outras áreas do conhecimento para evoluir. A área multidisciplinar da Inteligência Artificial é um exemplo disso. Esta área sofre influência não só das ciências exatas mas também de áreas como filosofia, biologia, sociologia e tantas outras.
Algumas discussões como “O computador pensa?” saem da filosofia, mergulham profundamente na computação, matemática e lógica, gerando pesquisas que acabam definindo o poder computacional. Uma destas discussões levou a uma teoria - Tese de Church-Turing - provando que há problemas que um computador, como é visto hoje, nem em um milhão de anos conseguirá resolver, mesmo que tenha um poder computacional incrível e memória ilimitada.
Para se convencer que a computação evolui a partir de outras áreas, incluindo a música, literatura ou qualquer outra, olhe para a matemática. Conseguimos encarar a matemática como uma ferramenta para os mais diversos tipos de problemas, incluindo aqueles do dia-a-dia. Até alguns comportamentos da natureza que parecem desordenados podem ser modelados pela matemática - estudo de fractais - notamos que na verdade há uma nova ordem onde existiria o aparente caos.
Podemos encarar a computação como uma extensão da matemática. A computação é somente mais uma ferramenta da ciência, obviamente para computar dados. Dê o problema à computação (e aos cientistas que trabalham com computação) e esta tentará resolvê-lo e com isso evoluirá.
A literatura, como dito, é uma das muitas áreas que influencia esta evolução. A exemplo do autor Isaac Asimov, são definidos parâmetros que influenciam a pesquisa da Inteligência Artificial atualmente. Quando os robôs acumularem diversas funções, proteger o ser humano será uma delas. Portanto as leis robóticas do autor são imprescindíveis:
1ª lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal.
2ª lei: Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei.
3ª lei: Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira e Segunda Leis.
Hoje em dia tais leis não estão sendo levadas em conta no desenvolvimento de robôs especialistas, pois estes apenas realizam funções repetitivas e puramente mecânicas. Sendo assim, sua Inteligência Artificial não possui profundidade. A comunidade acadêmica está voltada quase que exclusivamente a IA Fraca, ou seja, máquinas de funções específicas. A IA Forte, que caracteriza-se por máquinas que imitam o comportamento humano, parece habitar mais as telas de cinema do que os laboratórios de pesquisa.
A pesquisa com redes neurais em Inteligencia Artificial já se beneficiou de estudos do comportamento do cérebro humano desenvolvidos por pesquisadores das áreas da medicina, biologia, psicologia e correlatas. O estudo de agentes inteligentes que aprendem por meio de interações com o ambiente também já fez uso da conhecimento sobre o comportamento de colonia de insetos, tais como as formigas. Existem alguns exemplos da utilização do conhecimento sobre outras áreas para o avanço da computação. É curioso ver que até filmes de ficção científica inspiram os cientistas a pesquisar novos assuntos dentro da computação.
Portanto um cientista, principalmente um que realize pesquisas em computação, tem muito a agregar quando é multidisciplinar. Tanto quanto a literatura ficcional tem a agregar ao imaginário e às aspirações destes e de cientistas de diversas áreas.



