Oficina de Dramaturgia para Videogames

Posted by Julia Stateri On September - 15 - 20091 COMMENT

OFICINA DE DRAMATURGIA PARA VIDEOGAMES - TEORIA E PRÁTICA

Acontecerá no Instituto de Matemática da UFBA, de 23 de setembro a 02 de dezembro, a Oficina de Dramaturgia para Videogames - Teoria e Prática. O curso fundamenta a relação entre gênero dramático e videogames, a partir de exposições e debates, ao tempo em que estimula o uso de procedimentos dramatúrgicos aliados ao Game Design através de exercícios de criação. O conteúdo programático abrange: o papel do dramaturgo nos videogames; teoria do drama; o Gênero Dramático e os videogames; a história do Drama nos Videogames; procedimentos dramatúrgicos aliados ao Game Design; estruturas dramáticas; a construção de um espaço-tempo ficcional; composição de personagens; diálogos.

Os encontros serão semanais, sempre em dias de quarta-feira entre 9h e 12h. A oficina é gratuita. Serão disponibilizadas 10 vagas com inscrições via e-mail até o dia 18 de setembro de 2009, ou até o preenchimento das vagas. Para se inscrever, os interessados devem enviar para victorcayres@gmail.com: nome completo, RG ou RM (quando estudantes da UFBA), um breve currículo com no máximo uma página e um texto sobre seu interesse e/ou experiência com videogames, também com uma página no máximo.

Essa iniciativa está vinculada à UFBA como projeto de extensão, com realização do Núcleo de Dramaturgia da Escola de Teatro - NATRAMA - em parceria com o grupo de Pesquisa em desenvolvimento de jogos INDGENTE, locado no Departamento de Ciências da Computação. O ministrante, Victor Cayres, é mestrando do Programa de Pós Graduação em Artes Cênicas com o projeto intitulado Interfaces ludo-dramáticas nos console videogames (1968-2008), tem experiência com dramaturgia para teatro, audiovisual, eventos multimídia, e, atualmente, faz parte das equipes de game design do projeto Kirimurê e do pacote de jogos Miúda e o guarda-chuva, ambos ligados ao INDIGENTE.

NAWLZ e a reatividade das Webcomics

Posted by Julia Stateri On July - 20 - 20091 COMMENT
NAWLZ é uma WC estéticamente rica

NAWLZ é uma webcomic esteticamente rica

Em se tratando de mídias digitais, principalmente Online, termos como fissão, fusão e transposição surgem para responder aos fenômenos que observamos. Jornais e revistas ganham suas versões digitais ora simplesmente transpostas, como se os recursos inovadores da era digital fossem totalmente ignorados e ora fundidas de tal forma que nos esquecemos de que em algum momento aquele produto novo foi um dia um impresso tradicional e linear.

Esse deslumbramento com novos produtos costuma resultar no uso indevido de termos correntes nos estudos das mídias. Um especialmente desgastado é o termo “interatividade”.

Vemos em Williams, tido como o criador do termo em 1974, o seguinte comentário:

Mas nós temos que distinguir entre tecnologias ‘reativas’ e ‘interativas’. Atualmente, quase todo equipamento que vem sendo desenvolvido é reativo; o alcance de escolhas, em detalhes e em escopo, é pré-estabelecido.

Infelizmente, de 1974 para cá, o termo não passou a ser usado com maior parcimônia. Seja para estimular a compra de produtos ou por pura e simples ingenuidade, tudo que é tido como inovador ou esteticamente inesperado vez por outra acaba recebendo de uns o título de “interativo”. Este é o caso da Webcomic NAWLZ, da qual tomei conhecimento através do website HP Spot.

NAWLS não consegue fugir da linearidade

NAWLS não consegue fugir da linearidade

Embora a Webcomic traga uma experimentação estética distinta, uma ambientação exclusiva através de efeitos sonoros e de um traço contemporâneo, ela não pode ser definida como interativa, dado o fator de que a única participação possível do leitor sobre as pré-definições instituídas pela programação em ActionScript do Flash seja a de clicar sobre setas para seguir o curso do texto linear.

Esta linearidade e previsibilidade não desmerecem o esforço estético e técnico do artista, nem mesmo sua proposta. Entretanto, seria injustificado anunciar a experiência de leitura e navegação deste produto como sendo interativa. Definitivamente o repertório ou as decisões do leitor não alteram a linearidade e a programação apresentada desta arte reativa Online.

A mídia offline está morta?

Posted by Julia Stateri On June - 29 - 2009ADD COMMENTS

Segundo a reportagem de Matt Asay pelo “The Open Road” da Cnet News, o atual CEO da Microsoft, Steve Ballmer, declarou de maneira provocativa que em 10 anos toda a mídia será online.

Durante o Festival de Propaganda de Cannes, na França, Ballmer teria feito algumas especulações quase proféticas quando afirmou que dentro deste período de tempo não haverá mais jornais, revistas ou programas de televisão. Para Ballmer, não existirão meios de comunicação pessoais e sociais offline.

Quando questionado sobre o futuro do Windows, Ballmer não entrou em detalhes, apenas mencionando a possibilidade do Windows se tornar mais um sistema baseado em assinaturas, como alguns programas existentes e que a cada dia se movimentam no mercado passando do lado dos produtos para o dos serviços (para mais informações sobre “subscription-based cloud computing”, clique aqui).

Ver nos softwares uma possibilidade de migração para serviços é uma idéia anterior à Web 2.0. Em alguns países este sistema foi adotado tanto para softwares utilitários quanto para os voltados ao entretenimento, como é o caso dos jogos, combatendo de maneira mais enfática a questão da pirataria.

Enquanto para os jogos online e MUDs (Multi User Domains) as possibilidades lucrativas se limitam apenas pelas idéias de adicionais e especialidades a serem vendidas aos utilizadores, Ballmer parece ainda não ter compreendido muito bem como fazer dinheiro com um sistema baseado em serviços online.

Para uma empresa, como a Microsoft, que esteve envolvida com faturamentos fundamentados em preços sólidos durante toda sua existência, a mudança para serviços personalizados com faturamentos variáveis de acordo com as opções de seus clientes (e não mais consumidores apenas) promete ser dolorosa.

Todavia, tanto para os usuários quanto para as possibilidades de novas opções a serem lançadas prometem movimentar o mercado de maneira positiva. Não haverá sentido em possuir um sistema que não seja integrado às possibilidades online que ele propiciará, o que deve diminuir em muito a ação de pirateadores e crackers.

Com as mudanças na propagação de informação, nossos hábitos também serão alterados e a maneira como transmitiremos conhecimento também passará por uma evolução. Mas será mesmo que em meros 10 anos serão destruídos séculos de literatura linear? Ou será que o meio se modificará novamente, mantendo o mesmo teor do conteúdo de sempre?

Narrativa digital e jornalismo 2.0

Posted by Jean Pluvinage On May - 27 - 2009ADD COMMENTS

A narrativa digital não é uma idéia criada espontâneamente por nossa geração. Ela é o produto de um longo processo histórico que, com as novas tecnologias, expandiu as possibilidades da antiga arte de contar histórias. Antiguidade evidenciada pelos Vedas hindus e a epopéia de Gilgamesh na Mesopotâmia. O passado é portanto fonte de conhecimento dos primeiros indícios da nossa atual narrativa digital.

Um exemplo é a interação dos leitores entre si e com o narrador, recurso usado em fórums, redes sociais, MMORPGs, entre outras ferramentas de comunicação digital. É uma interação que permite a presença do leitor durante a produção da narrativa – possibilitando até a sua participação na criação de histórias. Essa interatividade digital é um resgate das primeiras narrações. A cultura humana, antes da invenção da escrita, era transmitida para as próximas gerações por meio da narrativa oral. Narrativa que já contava com a participação dos ouvintes, um feedback de quem ouvia os relatos míticos dos xamãs e aedos. Com a narrativa escrita foi possível a melhor conservação da cultura humana, mas a flexibilidade foi eliminada, o narrador não podia se adaptar à receptividade dos ouvintes. O que fosse escrito na pedra, argila ou papiro devia ser lido com passividade: a narrativa se petrificou, literalmente.

A narrativa digital resgata a interação desses antigos narradores. Mas e as narrativas que não estão relacionadas à imaginação do narrador? Aquelas que relatam fatos do cotidiano? É possível interagir com narrativas de não-ficção? Uma vertente da narrativa digital é o jornalismo 2.0 que tem como característica a rapidez da divulgação da notícia com a interatividade do meio eletrônico. Mas ao contrário dos aedos e xamãs o narrador jornalístico não pode ser “flexível” com sua história. Os personagens não podem ser inventados, os acontecimentos devem ser relatados com exatidão, as fontes de informação devem ser checadas. A objetividade total é impossível, por isso há a necessidade de uma rigorosa metodologia para que a narrativa jornalística tenha credibilidade. É possível criar, com as ferramentas da web, um ambiente virtual narrativo jornalístico, mas que deve responder aos fatos e acontecimentos com isenção.

As possibilidades de interação com uma forma narrativa tão rígida existem. A notícia, embora não possa ser manipulada no seu conteúdo factual, pode ser totalmente alterada em seu formato. De um simples texto estático uma reportagem digital pode adquirir infográficos interativos, espaço para comentários, tags que levam o leitor para páginas relevantes ao assunto da reportagem, realidade aumentada para mostrar informação em três dimensões. É importante esclarecer que o foco continua sendo na informação e não no formato digital, ou seja, as ferramentas web devem ser utilizadas somente se elas permitirem transmitir informação com mais clareza e eficiência. Toda tecnologia que não oferece eficiência na comunicação e na informação é apenas um ruído.

Com o jornalismo 2.0 o leitor deixa de ser passivo, e consegue até mesmo ser um divulgador de notícias. Ele pode auxiliar sites, blogs e redes sociais com fotos, imagens e textos de sua própria autoria. A participação do leitor na produção jornalística constitui uma nova forma de obter conhecimento: é o jornalismo colaborativo e cidadão, um meio de comunicação alternativo em relação às “grandes” mídias. Mas o jornalismo cidadão não é isento de falhas. Ele corre o risco da falta de exatidão e checagem precária das informações.

Pode-se até perguntar: se o leitor pode produzir e divulgar informação, então qual a necessidade de um jornalista? Estará ele em extinção? Curiosamente voltamos à figura dos xamãs e aedos. Todos podem contar histórias, mas dominar técnicas de narração, praticá-las com isenção e além disso saber usar os melhores recursos digitais para a reportagem é a qualidade reservada aos jornalistas dedicados à narrativa digital.

e-Storias na Revista pontocom!

Posted by Julia Stateri On May - 9 - 2009ADD COMMENTS
Revista pontocom

Revista pontocom

Quando o editor da revista eletrônica pontocom, Marcus Tavares, me procurou para obter informações sobre o grupo e-Storias fiquei muito feliz com oportunidade de poder divulgar nossos esforços por meio de uma revista séria e dedicada a trazer conteúdo de qualidade à rede.

Em um batepapo leve e construtivo, respondo às questões do Marcus Tavares, explicando alguns pontos de vista sobre a importância das narrativas digitais, da autoria e da resignificação subjetiva.

Para ler a entrevista clique aqui!

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Fundado no segundo semestre de 2008, o Grupo de Pesquisa em Narrativas Digitais e-Storias, é a expressão do desejo de compreender as narrativas criadas no ou transpostas para o ambiente digital.

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