Por ser uma atividade baseada num conjunto de operações próprio que representa a articulação, a linguagem (mesmo a hipermidiática) é uma atividade humana. A máquina, ou a inteligência artificial, pode ser programada para responder e apreender respostas que são devolvidas da maneira que sua programação julgar mais adequada, entretanto essa programação não possibilita ao autômato articular os signos componentes da linguagem. Nessa instancia não se pode dizer que exista atualmente uma interatividade lingüística entre o humano e o código, o que não permite que exista também uma interatividade além da cognitiva no videogame, tal qual a que é propiciada pelo livro.
A única interatividade que ultrapassa esta cognição dá-se pelo contato e socialização com outros jogadores, participantes do mesmo ambiente e contribuintes com sua própria subjetividade. Da mesma forma, na mídia pungente da internet, os sites de relacionamento e programas de chat visam à conexão entre duas inteligências humanas, capazes de articular minimamente no mesmo código. A medida que emissor e receptor se equiparam em capacidades, a comunicação pode ser feita e a interação existe, humana. Ainda que um dos pontos de comunicação esteja pronto para receber ou emitir informações, se este não dominar o código articulatório será improvável, senão impossível, que haja comunicação e que surja deste encontro (virtual ou não) alguma âncora de memória.



